História




Panambi

Vale das Borboletas Azuis

Por: P.Edgar Leschewitz

O Município de Panambi está situado na região noroeste no Estado do Rio Grande do Sul, no Planalto Médio. Em 1899, o Dr. Hermann Meyer adquiriu as terras de Joaquim Dias de Oliveira e de Chico Saleiro. Panambi era conhecida por "Salinas", em função do comércio de sal que Chico Saleiro desenvolvia por aqui. Chamou-se "Neu-Württemberg", devido à vinda de imigrantes europeus, quando a área foi dividida em lotes. Em 1902, surgiram as primeiras casas, situadas no morro da Igreja Evangélica Luterana - IECLB e nas imediações da praça. Passou a chamar-se "Elsenau". Em 1938, passou a chamar-se "Pindorama"; em 1942, "Tabapirã" e em 1944 tornou-se "Panambi" que em tupi-guarani significa "Vale das Borboletas Azuis". De origem predominantemente germânica, Panambi formou-se a partir de fluxos migratórios, com três períodos distintos: de 1899 a 1905, de 1911 a 1914 e após a Primeira Guerra, de 1921 a 1926, quando 178 famílias alemãs instalaram-se aqui. Aos alemães foram se juntando italianos e holandeses que somaram-se aos portugueses e nativos que por ventura aqui existissem.

1.1 - Origem, fundação e organização de Panambi.

Para que o nome "Panambi" (nome indígena que quer dizer: "vale das borboletas azuis") fosse nome oficial deste município, a história teve que remover os nomes "Neu-Württemberg, Pindorama (Terra das Palmeiras) e Elsenau ( nome advindo de "Else" esposa de Hermann Meyer)". Panambi nasceu de uma colonização puramente alemã. A colonização chamada de "Neu-Württemberg", daí o primeiro nome de Panambi, foi obra de um cidadão da Alemanha, o Dr. Hermann Meyer, na época sócio do Instituto Bibliográfico da cidade de Leipzig, província da Saxônia, Alemanha. Para promover os trabalhos da colonização, o Dr. Hermann Meyer mantinha aqui um administrador remunerado, Carlos Dhein, que lavrou a escritura pública desta colônia para Dr. Meyer, em 31 de agosto de 1898. Dr. Meyer só por duas vezes esteve aqui para ver sua colônia, bem como o andamento da colonização: em novembro de 1898 e dezembro de 1900. A colonização visava imigrantes vindos de Württemberg, Alemanha, contudo, sabe-se que a grande ocupação posterior será feita por famílias vindas das "Antigas Colônias" da região de Estrela e Santa Cruz. A atual população está divida na área urbana em torno de mais 26.000 habitantes e menos de 4.000 habitantes na área rural.

A colônia de Neu-Württemberg teve sua abrangência geográfica nas terras outrora cobertas de mata nativa, situadas principalmente entre os rios Caxambu e Palmeiras, envolvendo a bacia do rio Fiúza. Uma extensão dessa área de mato se projetava para o sul até além do rio Caxambu, hoje a Jacicema. Outrora área relativamente extensa de mata se estendia para o norte, além do rio Palmeira; é a parte que hoje constitui a área urbana e colonial do município de Condor. A leste, norte e sul, essa antiga região de mata nativa era circundada pelos campos serranos. Ao oeste, a colônia Neu-Württemberg se limitava pela junção dos rios Ijuizinho e Caxambu. A parte sul do rio Palmeira integrava o 4.0 distrito do município de Cruz Alta, e a parte ao norte do mesmo rio fazia parte do 4.0 distrito de Palmeira das Missões.

A área geográfica do município de Panambi situa-se na região chamada Planalto Médio, a 380 km de Porto Alegre. Sua altitude é de 480m acima do nível do mar. A região toda, até 1756, integrava a antiga área das Missões Jesuíticas e, até 1801, consideradas terras pertencentes à Espanha.

A primeira construção na área central, em terrenos com frente para a praça, foi o "Barracão dos Imigrantes" cuja construção foi concluída em agosto de 1901. Foi neste "Barracão dos Imigrantes" que se iniciou em 30 de novembro de 1902 o primeiro culto evangélico luterano, pelo então P. Faulhaber.

Inicialmente, os primeiros colonizadores ainda não recebiam assistência eclesiástica. Em fins de 1901, visitaram Neu-Württemberg, dois pastores evangélicos: Sudhaus e Schulze. Era intenção do Dr. Meyer prover à colônia de Neu-Württemberg de um pastor efetivo, a fim de congregar os novos povoadores em forma de "comunidade eclesiástica". Mas este propósito viria a se realizar apenas em novembro de 1902, com a chegada de Hermann e Maria ( nasc. von Reinhardt) Faulhaber, ambos vindos de Württemberg, Alemanha. Passemos para uma pequena crônica histórica que nos demonstrará estes episódios, e mais, detalhadamente!

1.2 - Crônica histórica da Comunidade Evangélica Panambi

A história da Comunidade Evangélica de Panambi, tem suas raízes fixas nos primórdios da colonização, iniciada por famílias pertencentes a três igrejas, ou seja : a Católica, a Batista e a Evangélica. As mesmas iniciaram suas atividades, congregando fiéis, no mesmo período de 1901-1903.É bem verdade que a constituição das diversas comunidades deu-se em datas posteriores. Houve um período em que praticamente parou a vinda de famílias católicas, pois acreditava-se que a colônia de Neu-Württemberg deveria ser colonizada por famílias evangélicas, uma vez que o administrador era um pastor protestante. Em 1902 moravam na nova colônia 60 famílias das quais 24 eram católicas.

Para fundamentar o que foi mencionado antes vejamos o seguinte: em julho ou agosto de 1901 veio o primeiro pastor que fixou residência em Neu-Württemberg, na pessoa do pastor batista Karl Roth, que inicialmente residiu na casa do administrador Dr. Horst Hoffmann, onde foi muito bem tratado, apesar do mesmo ser protestante.

Na segunda quinzena de dezembro de 1901, veio o padre jesuíta Max von Lassberg que celebrou a primeira missa na casa da senhora Wagner.Esta foi só uma visita ocasional.

Na mesma época vieram os pastores Schulze e Sudhaus, os quais, por coincidência, vieram com um dia de diferença e deram cultos no mesmo dia, um de manhã e outro de tarde.

Iniciava-se o ano de 1902 e as crianças do local necessitavam de escola. A solução foi achada na pessoa do vendeiro Luiz Boehl que passou a ser professor ,dando aula de manhã das 8h às 12h, às 22 crianças em idade escolar.

No dia 24 de maio de 1902 a colônia de Neu-Württemberg foi visitada pelo embaixador da Alemanha Von Kreutler. O mesmo chegara a Porto Alegre em 10 de maio e fora recebido pelo administrador Dr. Horst Hoffmann, que acompanhou até aqui. A viagem foi feita de trem até Cruz Alta, onde o Embaixador foi recebido com todas as honras pela população, seguindo até a estação de Porongos, vindo de lá a cavalo. Depois de visitar também o interior da nova colônia, o Embaixador e sua comitiva seguiram viagem a cavalo a Ijuí.

Diante da necessidade de ter um pastor residente na nova colônia o Dr. Hermann Meyer contratou em 19 de julho de 1902 o P. Hermann Faulhaber por um prazo de cinco anos.O contrato começou a vigorar em primeiro de setembro de 1902, prevendo as seguintes incumbências e funções: 1- Dar assistência eclesiástica em Neu-Württemberg (Panambi); 2- Criar uma escola para uma formação adequada dos imigrantes (1903 serão lançadas as bases do que é hoje o Colégio Evangélico Panambi); 3- Fazer um levantamento social e econômico da realidade (a colonização não se detinha apenas ao futuro Município de Panambi, mas também a formação dos Municípios de Erval Seco ? Xingu ? Mondaí) ; 4- Instalar uma estação meteorológica ( local da Prefeitura Municipal ). Somam-se ainda a estes objetivos: Bauerverein (associação ou sociedade de agricultores) Friedhoffverein (sociedade cemitério); criação da primeira Biblioteca (muitos livros e revistas foram enviados da Alemanha); sociedade de cantores (Chorverein).

A chegada do casal Faulhaber deu-se em 26 de novembro de 1902. Esta data certamente pode ser considerada como a data de congregação da Comunidade Evangélica Panambi. Senão a data de 30 de novembro do mesmo ano, quando foi celebrado o primeiro culto pelo pastor Hermann Faulhaber, ao qual compareceram 180 fiéis, número jamais alcançado nos anos seguintes. O culto foi celebrado no "Barracão do Imigrante", onde também o casal Faulhaber residiu até a conclusão da casa paroquial, que foi concluída e ocupada em 30 de dezembro de 1902.

No dia 07 de janeiro de 1903 foram iniciadas as aulas no "Barracão do Imigrante", pois o prédio escolar ,ou a escola, ficou pronta no dia 07 de fevereiro. Nesta data chegou a Panambi o sino doado pelo Dr. Hermann Meyer e que foi inaugurado junto com a nova escola no dia 8 de fevereiro de 1903. Este sino veio da Alemanha e se encontra hoje no Saguão do Colégio Evangélico Panambi. No dia 8 de fevereiro, com início às 9:30 horas, foi celebrado um culto o qual tomou parte a totalidade da população. Neste culto também houve a participação do coro da Comunidade Batista, embora a comunidade ter sido constituída em 1906.

A 12 de março de 1903 foi feito o 1º batismo ( da menina Alma Neumann). No dia 12 de julho foi inaugurado o harmônio, uma doação da Obra Gustavo Adolfo, que veio junto com a bagagem do Pr. Faulhaber. Na data de 6 de outubro foi realizado o primeira bênção matrimonial, quando casaram os noivos Johann Karl Heinrich e Maria Panzenhagen. Após a cerimônia, toda a comunidade reuniu-se no "Barracão" que havia sido ornamentado para a festa. No dia 20 de outubro ocorreu a primeira confirmação, quando deram seu testemunho nove crianças, cinco nascidas no Brasil e quatro que vieram com os pais da Alemanha.

No ano de 1903, também foi criada a Sociedade Cemitério, independente da Comunidade Evangélica Panambi. O cemitério desta Sociedade é o atual lugar onde hoje se localiza o cemitério de Jaciandi. Até aqui descrevemos os dados iniciais sobre a atividade comunitária nos primeiros anos, ou seja até 1903.

Os primeiros cultos foram realizados no "Barracão do Imigrante", que havia sido erguido onde hoje se encontra o "Banco Meridional". A partir de 1903 vai ser a escola o local para cultos. Mas já em 1901, o Dr. Meyer solicitou que fosse erigida uma capela com a ajuda dos colonos, questão esta que não veio se concretizar por falta de interesse e colaboração. Em 1909, foi escolhido um lugar na colina, perto da casa paroquial, onde hoje se encontra a atual igreja da Comunidade Evangélica Panambi.

Difícil e morosa foi a formação da Comunidade Evangélica , pois somente ,em 1908, o Pr. Faulhaber conseguiu seu intento, com a colaboração de seu substituto, Pr. Schneider. Na data de 4 de fevereiro a Comunidade Evangélica foi oficialmente constituída em Assembléia Geral Ordinária, que elegeu a sua Diretoria nas pessoas de Karl Blum, Wilhelm Gibmeier, Gustav Strebel, Otto Deis e Prof. Felix Weisbrodt, sendo suplentes os Srs. Karl Knorr, Heinrich Lutz, Friedrich Windmüller e Friedrich Hack.

Na época da constituição da Comunidade Evangélica, em 1908, esta contava com 77 membros, já, em 1909, o número de membros atingira a 122. Em 1909, a Comunidade Evangélica de Neu-Württemberg foi admitida e filiada ao Sínodo Rio-grandense, graças aos esforços do Pr. Faulhaber. Em 1915, a Comunidade Evangélica conseguiu o seu registro com Entidade Jurídica.

O Pr. Faulhaber havia sido contratado por cinco anos. Findo este prazo, o mesmo solicitou seu desligamento do pastorado, pois a sua convicção religiosa dificultava cada vez mais o desempenho do cargo de cura d?alma.

O Dr. Meyer concedeu-lhe a demissão e nomeou-o diretor da empresa de colonização. Com o desligamento do Pr. Faulhaber, assumiu a Comunidade Evangélica o Pr. Schneider, que, porém, veio a falecer em 1908, meio ano após ter assumido o cargo, vítima de tifo, que grassava na região naquela época, principalmente em Xingu. Interinamente reassumiu e atendia novamente Pr. Faulhaber, até a vinda do Pr. Johann Merz.

Em 1910, foi criada e formada a Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas, que possui certamente os dados e relatos da sua influência na vida da Comunidade Evangélica desde a sua fundação até os nossos dias. Até 1912, o pastor não era remunerado pela Comunidade Evangélica, pois alegava-se as dificuldades dos novos moradores e as más colheitas, bem como secas e praga de gafanhotos em 1907 a 1908, como motivo para esta situação. Os pastores recebiam seus sustentos do Dr. Meyer, através da Empresa Colonizadora. Somente em 1913, a Comunidade Evangélica passou a remunerar seus pastores parcialmente com recursos próprios, recebendo um pequena importância anual da Empresa ainda.

Passemos agora a relatar o período da construção da igreja. Escolhido o lugar, 1909, passaram-se sete longos anos até que na Assembléia Ordinária do dia 19 de fevereiro de 1916 foram tomadas medidas concretas para o início da construção da igreja. Os principais defensores da idéia foram os Srs. Jacob Bock e Leopold Hepp. Na Assembléia Extraordinária realizada no dia primeiro de abril de 1916, da qual participaram 89 membros, número muito elevado para a época, foi feita a votação, quando 76 membros votaram a favor e 7 contra. Mesmo assim, decorreram mais quatro anos, e, na Assembléia Geral de 28 de fevereiro de 1920, ficou definido que a elaboração das plantas para a igreja seriam entregues ao arquiteto Seubert de Novo Hamburgo. O projeto elaborado pelo mesmo foi aprovado pela Comissão de Construção e Diretoria na data de 22 de janeiro de 1921, tendo o Dr. Seubert recebido a importância de 1:200$000 pelos seus serviços. Na mesma reunião ficou resolvido entregar o trabalho de execução da obra ao pedreiro mestre Ângelo, com o qual foi firmado um contrato no valor de 10:500$000, não estando incluída a escavação, a colocação do telhado e o serviço de reboco. A pedra angular foi colocada no dia 24 de julho de 1921, havendo só um culto comemorativo, oficiado pelo Pr. Karl Ramminger e a participação do Pr. Halle de Ijuí. Participou do culto também o Coro da Igreja e da Juventude. O organista foi o Sr. Georg Malchow, que já há anos cumpria esta tarefa. Devido às dificuldades do ano de 1922, a construção levou praticamente dois anos. Nos trabalhos finais, o assoalho, o coro e o forro foram executados pelo Sr. Carlos Ernesto Knorr, as aberturas foram fornecidas pelo Sr. Ewin Otto e a cruz da torre foi confeccionada pelo Sr. Heinrich Rudolf Schneider.

Finalmente no dia 22 de abril de 1923 foi inaugurada a nova igreja, sob tempo chuvoso, porém mesmo assim o culto festivo foi muito concorrido, com a presença de todas as sociedades de cantores com suas bandeiras. Participou também grande número de membros da Igreja Batista. Os membros de Condor não puderam vir devido a enchente do Rio Palmeira. À noite, a festa continuou no Salão do Comércio, localizado no lugar próximo à Igreja Católica. O custo da nova igreja elevou-se a 64:000$000, sobre a qual existia uma dívida de 28:000$000 na data de sua conclusão. As contribuições extraordinárias dos membros foram fixadas de acordo com a distância, em que os mesmos residiam da igreja. Os membros do "Stadtplatz" (Centro da Cidade) pagavam 180$000, os que moravam 2 km de distância só pagavam 160$000 e assim por diante, sendo que muitos chegavam apenas a pagar 32$000. Estas quantias tiveram que ser pagas em quatro anos consecutivos. Para cobrir a dívida existente foram emitidos 1.200 documentos no valor de 20$000 cada um, posteriormente resgatados com um juro de 5% ao ano.

Na época da conclusão da igreja, a Comunidade Evangélica contava com 470 membros, 37 dos quais foram membros novos. A Comunidade abrangia as seguintes localidades: "Stadtplatz" Elsenau ( Centro); Magdalenen (Ocearu); Leipzig ( Iriapira I e II); Palmeira ( Condor); "Vorderer und Hinterer Rincão"( Rincão Frente e Rincão Fundo); Hindenburg ( Assis Brasil e Linha Fiúza); Rheinland (Jacicema); Linha Divisa e Ramada, que na época reivindicava locais de pregação. É interessante mencionar os preços que vigoravam na época: uma arroba de banha 9$000; um saco de feijão 10$000; um kg de carne 200 rs e um salário/dia 1$500 a 2$000.

Certamente com a inauguração da nova igreja, com o aumento do número de membros e melhores colheitas, as dívidas foram pagas com maior facilidade e o passo seguinte foi a aquisição dos sinos. Em Assembléia Ordinária realizada no dia 09 de janeiro de 1927 ficou resolvido instalar luz elétrica na igreja e autorizar a Diretoria providenciar a aquisição de três sinos. Em reunião da Diretoria no dia 16 de março de 1927, resolveu-se o seguinte: Encaminhar à firma Bromberg & Cia, de Porto Alegre um pedido para a encomenda de três sinos de bronze, com os seguintes pesos: 850kg; 450kg e 300kg. A inscrição destes sinos deveria ser a seguinte: Sino menor => "Os vivos chamo para a devoção"; Sino médio=> "Aos mortos clamo descanso e paz"; e o Sino maior => "As pessoas vêm e vão, só Deus é eterno". Em cada sino, além de cada um ter suas devidas inscrições, encontra-se a inscrição "Comunidade Evangélica Neu-Württemberg" .Os sinos foram fabricados em Bochum, na Alemanha, e chegaram a Panambi em três carroças no dia 02 de dezembro de 1927. Foram escondidos num galpão no lado esquerdo do rio Fiúza, ornamentados durante o dia 03, em cima das carroças. Mas também foram ornamentadas as ruas e a igreja com carroçadas de flores e "Girlanden" confeccionadas pelas Senhoras da OASE, Juventude e Confirmandos, para a "Entrada Triunfal" naqueles dias. A primeira carroça foi ornamentada com flores brancas e puxada por seis cavalos pretos. A segunda carroça, com flores vermelhas e puxada por seis cavalos brancos . A terceira carroça, com flores amarelas e puxada com seis cavalos marrons. O cortejo foi formado na seguinte ordem: Na frente iam mais de cem alunos com bandeirinhas nas cores preto-branco-vermelho e outras nas cores verde-amarelo. Seguiam as sociedades com as suas bandeiras e uma banda de música. Vinham então as três carroças com os sinos, a Diretoria e a Comunidade. Diante da igreja os sinos foram colocados um ao lado do outro e feito o leilão das primeiras badaladas. Nos dias seguintes, os sinos foram colocados nos respectivos cavaletes. No anoitecer do dia 10 de dezembro de 1927, o repicar dos sinos ecoou pela primeira vez pelos ares de Neu-Württemberg, para serem inaugurados festivamente no dia seguinte, dia 11 de dezembro. O custo dos sinos, dos cavaletes e mão de obra importou 10:000$000, importância esta arrecadada com doações expontâneas, num trabalho da OASE. O serviço de sineiro foi entregue ao Sr. Joseph Döth

Com a conclusão e inauguração da nova igreja em 1923 e a inauguração dos sinos em 1927, a Comunidade Evangélica Panambi alcançara um dos grandes objetivos físicos. Porém os trabalhos não pararam aí. Já em 1930, a OASE fez a doação dos três vitrôs que ornamentaram a parede, ainda hoje, nos fundos, atrás do altar. Nos anos de 1934 a 1935, o Sr. Gottfried Wolgien construiu o relógio da torre, utilizando para tal, peças de um "Ford de bigode", fora de uso. Este relógio desde 1936 até esta data é o único relógio público de Panambi. Na década de 1930, foi formada a "Comissão de Embelezamento do Pátio da Igreja", formada pelos Srs. Gustav Kuhlmann e Friedrich Krahe. Nesta época foi construído o muro e as escadarias com pedras de arenito e inauguradas as efígies do Dr. Hermann Meyer e do Pr. Hermann Faulhaber. A Comunidade ia crescendo, em fins da década de quarenta ( 1940) contava com 1.280 famílias e cerca de 10.000 almas ( conforme o livro: "O Cinqüentenário de Panambi").

Uma atividade que praticamente sempre existiu, desde a fundação da Comunidade, com maior ou menor intensidade, foi a Juventude Evangélica. Sabe-se que esta participou de todos os eventos sociais e religiosos. Muitos jovens receberam nos trabalhos e reuniões da JE ensinamentos de fé e práticos que nortearam e moldaram sua vida futura. É bem verdade que a influência dos Pastores e suas esposas quase sempre foi decisiva no desempenho da atividade dos jovens. No decorrer dos anos houve mudanças profundas na metodologia dos trabalhos. Vejamos a atividade no ano de 1933. As moças reuniam-se na casa do Pastor com a esposa deste e os rapazes com o Pastor em outro local. As moças praticavam estudo bíblico, bordavam, faziam leitura e declamação de poesias e ensaiavam danças. Uma vez por mês rapazes e moças reuniam-se num grupo e no final dos trabalhos era oferecido um chá para o qual cada jovem trazia de casa alguma coisa para comer. O chá a esposa do Pastor oferecia. Era obrigatório o uso de uniforme, que consistia em blusa branca, gravata e saia azul para as moças e camisa branca e gravata, e calça azul para os rapazes. A JE não interrompeu suas atividades durante a segunda guerra mundial, pois existe cópia de uma correspondência encaminhada a subdelegacia de Pindorama, solicitando licença para a realização de uma festa, datada em 1941. O número de membros da JE em 1933 era de trinta. Houve épocas em que este número foi bem maior, por exemplo, na década de 1960 atingia em torno de setenta a cem jovens. Mesmo assim já havia uma grande defasagem entre o número de confiramandos que faziam sua profissão de fé e os que participavam na JE.

Um fato marcante na vida da Comunidade Evangélica foi a realização do 52.o Concílio Sinodal, que teve como sede Panambi. Foi realizado nos dias de 16 a 19 de maio de 1957, reunindo dezenas de representantes de todas as Comunidades Evangélicas, filiadas ao Sínodo Rio-grandense naquela época, movimentando a Comunidade local, hospedando visitantes, etc.

Panambi tornou-se sob certo aspecto um centro evangélico regional a partir de 1961, com a construção do Lar das Senhoras da OASE ( Lar da Igreja), da qual foi lançada a pedra fundamental no dia 30 de abril de 1961. O acontecimento foi precedido com um culto festivo e Santa Ceia. E, à noite, realizou-se a apresentação de um programa de música sacra na igreja, comunidade, local. A presença de visitantes de outras comunidades ultrapassou as expectativas.

Durante um certo período funcionou no Colégio Evangélico Panambi um "Curso Pré-Teológico" e um "Curso de Auxiliar de Enfermagem ( sob coordenação da Sr. Dorothea Seidel)", visando proporcionar aos estudantes da região a possibilidade de iniciar seus estudos teológicos ou de enfermagem aqui em Panambi. Posteriormente estes cursos foram cancelados por motivos vários, alguns inexplicáveis.

Com a fusão dos antigos Sínodos em 1968, da qual resultou a IECLB, Panambi firmou ainda mais sua importância, como "Polo Regional Eclesiástico", pois aqui foi instalada a III Região Eclesiástica, para o qual foi construído um prédio próprio.

Antes da realização do 52.o Concílio Sinodal, a igreja foi renovada na sua parte externa, assim como ainda hoje se encontra. Em fins de 1962 e início de 1963, procedeu-se a modificação interna do templo. Instalou-se a iluminação indireta, modificou-se o recinto do altar, sendo substituído o altar e a cruz existentes pelo que temos hoje, numa execução do Sr. Georg Geckler. Também foi colocado o dizer "GLORIA IN ALTISSIMUS DEO, ET IN TERRA PAX HOMINIBUS BONAE VOLUNTATIS", executado em madeira pelo artífice Sr. Friedrich Kraft. O projeto para a renovação foi executado pelo arquiteto Osvald Meier de São Leopoldo.

No dia 11 da agosto de 1978, foi lançada uma semente que nasceu, cresceu e frutificou. É a "OASE masculina", a Legião Evangélica, ou ainda "Männerwerk". Através deste grupo de voluntários, que tem como objetivo preocupar-se com os problemas materiais e sociais da Comunidade, bem como dar apoio à Diretoria, muita coisa foi obtida, sendo as obras mais importantes: restauração da cobertura da igreja e a pintura desta; reforma completa do telhado da torre da igreja, onde a madeira foi substituída pela armação de ferro; melhoramentos do Lar da Juventude; construção dos sanitários junto à igreja, etc. As reuniões se realizaram, e ainda hoje se realizam, na segunda sexta feira de cada mês, atingindo, ainda hoje, uma média de 30 membros por encontro.

Durante estes anos todos de atividade da Comunidade Evangélica Panambi foi um grande número de Pastores que atenderam os membros. A relação foi e é a seguinte: Hermann Faulhaber ( 1902 a 1907); Johannes Schneider (1907 a 1908); Hermann Faulhaber (1908); Johan Mertz ( 1908 a 1912); Adolf Kolfhaus ( 1913 a 1915); Georg Weidmann ( 1915 a 1919) Christian Meinzold ( 1919 a 1921); Karl Ramminger ( 1921 a 1924); Dr.E. Schiller ( 1924 a 1925); Karl Michel ( 1925 a 1931); Wilhelm Meirose ( 1931); Walter Schönfelder ( 1931 a 1933); W.Gohner (1932);G.Stierle ( 1933); Leopold Strotmann ( 1933 a 1942); Walter Scholz (1936); Robert Westendorf (1936);Aktinson (1942); Arno Dreher (1942 a 1944); Est. Guido Tornquist (1944 a 1946); Est. Harald Röpke ( 1945 a 1946); Alfred Simon ( 1945 a 1955); Max Hoffmann ( 1946 a 1953); Lindolfo Weingärtner ( 1950 a 1952 - no Coleg. Evang. Panambi); Günter Löschmann ( 1953 a 1959); Helberto Michel ( 1956, segundo past. e C.E.P.); Karl Gerhard Braun ( 1957 a 1958 e 1960 a1980); Friedrich Lessmann ( 1958 a 1964); Hermann Mühlhäuser ( 1964); Horst Bergmann (1964 a 1974); Joachim Dürkop ( 1966 a 1968 no C.E.P); Rolf Dietrich Lein ( 1969 a 1977, no Lar da Igreja); Martin Volkmann ( 1969 a 1973, no C.E.P); Germano Burger ( 1969 a 1977, na 3.a RE); Bernardo Rossner ( 1972 a 1978); Cláudio Heerberts ( 1975 a 1976, na 3.a RE); Ariano Tiem ( 1978 a 1980); Armando Class ( 1979 a 1980); Edmundo Grübber ( 1977 a 1985, na 3.a RE); Jürgen G. Junge ( 1978, no Lar da Igreja); Marin Johannes Kirsch ( 1980 a 1988); Sidnei Sívio Schier ( 1981 a 1989); Osmar Prochnow (1986 a 1994); Valdemar Lückemeier (na 3.a Região, 1986, na ativa);Eckhard Krol (1987 a 1990, assessor teológico da 3.a Região); Martin Augustin ( 1989 a 1992); Nélio Schneider ( 1989 a 1992); Osmar Witt ( 1991 a 1992, assessor teológico da 3.a RE); Edgar Leschewitz ( 1992, na ativa); Euclécio Schieck ( 1994, na ativa); Egon A. Wutzke (1997, na ativa); André D. Müller (1999, na ativa)...

A partir de 1956, a Comunidade Evangélica Panambi passou a ter dois pastorados. Existia a primeira casa pastoral construída em madeira em 1902, que posteriormente foi demolida e em seu lugar construída a casa de material em estilo idêntico. Porém, na época da criação do segundo pastorado, o Pr. Löschmann morava na atual segunda casa pastoral, então de propriedade do Sr. Wilhelm Dippon. Segundo a escritura, a referida casa foi adquirida em 1964 pelo preço de Cr$ 2.100.000,00.

Para melhor atender as Comunidades Evangélicas localizadas no distrito de Condor, criou-se na década de 1960 ainda o terceiro pastorado, com sede, hoje, cidade de Condor, sendo ali construída a casa pastoral pela Paróquia Evangélica de Panambi. Em 1968, foi criada a Paróquia Evangélica de Condor, sendo divisa entre as Paróquias, o rio Palmeira.

Com a expansão da cidade de Panambi, tornou-se necessária a criação de Centros de pregação na periferia da cidade. Criou-se, em primeiro lugar, o Centro Evangélico da Zona Norte, hoje, desde 1992, Comunidade Evangélica Martim Lutero, onde foi também construída uma capela. Em 1975, foi instalado o Centro Evangélico Bom Pastor, na Vila ou Bairro Kuhn, graças a doação de um área pela Vva. Bertha Hisserich, onde igualmente foi construída uma capela, hoje também, desde 1992, Comunidade Evangélica Bom Pastor. Logo após, em l977, foi adquirida uma área na Vila, hoje Bairro, Arco Íris com 6.000 m2 e ali construída a terceira casa pastoral da Paróquia Evangélica de Panambi. Esta casa que era de madeira, foi vendida em 1980 e no mesmo local foi construída em 1985 uma casa de material, junto ao Centro Evangélico ali existente. Cabe lembrar que há pouco tempo( 1992) foi criada a Comunidade Evangélica de Arco Íris e junto a nova paróquia: Paróquia Panambi Sul, que abrange juntamente com esta comunidade, as comunidades do interior do lado Sul deste Bairro de Arco Íris.

Cumpre mencionar que, como veículo de comunicação entre os membros, existe há muitos anos, desde 1926, o "Boletim Informativo" da Paróquia Evangélica de Panambi. Por ocasião do 52.o Concílio Sinodal foi impresso o Boletim n.0 100. Desde 1963 é utilizado um espaço radiofônico, inicialmente denominado "5 Minuten Stille" ( Cinco minutos de silêncio), pois era alocutado em língua alemã, posteriormente denominado de "Mensagem Evangélica". Este espaço é utilizado na parte da manhã às 6:35 horas. Aos domingos de manhã é levado ao ar às 7:30 até 7:50 horas, sob responsabilidade das Paróquias Evangélicas de Condor, Panambi e Panambi Sul.

1.3 - Contribuição sócio, cultural da Comunidade na fundação de Panambi

No projeto do Dr. Hermann Meyer está sulcada a idéia do desenvolvimento social e cultural de um povo. A fé luterana, o pensamento luterano que fé e educação e trabalho devem andar juntos, dava-lhe grande apoio. Percebe-se muito bem, com a vinda do casal Faulhaber, a concretização desta idéia desenvolvimentista. O casal Faulhaber era pastor e professor. E vai ser este casal que concretizará a instalação e fundação da Igreja, que é o templo atual da Comunidade Evangélica Panambi e da Escola, que hoje se chama de Colégio Evangélico de Panambi. Nestas duas instituições desenvolver-se-ão os futuros líderes, como ainda hoje, da sociedade, ou povoado, de Panambi. O pastor e professor Hermann Faulhaber e sua esposa Maria von Reinhardt, professora de ciências, canto, noções de higiene e saúde, fizeram destas duas instituições seu grande empenho: criando a Biblioteca ( providenciando a disponibilidade de material literário à população interessada), hoje incorporada ao Colégio Evangélico Panambi, estimulando também tanto o canto na Igreja, em 12 de julho de 1903 primeiro culto acompanhado por som de harmônio, como auxiliando na formação de coros ou corais, os chamados "Gesangverein" ( Sociedade de Cantores). Destaca-se também, por intermédio deste casal, a formação e orientação dos assim chamados "Bauernverein"(Associação de Agricultores), "Schulverein"( Sociedade Escolar),da Sociedade Cemitério e da Estação Meteorológica.

Não há dúvida que Panambi hoje deve muito a esta estruturação e orientação do casal Faulhaber. Na passagem deste casal, pouco mais de cinco anos, aconteceu a estruturação das bases que moldaram a feição de Neu-Württemberg, cujas marcas essenciais se prolongaram pelas décadas posteriores e que seriam o substrato e implemento para a formação, desenvolvimento e consolidação da vida social, cultural, espiritual e econômica da sociedade, povoado, hoje Panambi.

1.4 - Atual Estágio

O atual estágio da vida social, política, econômica e religiosa de Panambi, não foge ao modelo geral do país. Panambi, como as demais cidades, está passando por um processo muito grande de aculturamento universal. Legado pelo sistema da Mídia: rádio, tv, jornal. A população de Panambi está em processo de pauperização. Sua cultura e herança histórica estão sendo abandonadas. Percebe-se um grande conflito de gerações, onde centros de cultura, igrejas históricas e antigos padrões estão em crise e abandono. As famílias constituídas, com vivência de apenas três a quatro anos, se dividem na faixa de 40% ( divórcios). Os registros legais de filhos, nos últimos anos, são feitos sem vínculo legal entre pai e mãe (casamento civil), ou só mãe, na faixa de 90% (dados estes de nosso Cartório de Registros). Panambi, na região é conhecida como "cidade evangélica", contudo não sabe responder porque tantas separações de famílias e porque surgem tantas igrejas a cada instante ( atualmente cerca de quarenta movimentos religiosos organizados). As igrejas históricas na óptica de muitos são verdadeiros "museus". E é isto que nos preocupa, visto que não conseguimos, como as demais atingir, nem a cidade, nem nossos próprios membros (as). Por isso estamos partindo na busca de novos caminhos para que, revendo a nossa participação histórica, venhamos responder e acompanhar as gerações do presente para um futuro mais humano e mais consciente da fé Evangélica Luterana nas situações e necessidades concretas de cada momento, na vida de um povo e de cada pessoa humana. Isto porque cremos que:

"A grandeza e a prosperidade de uma nação não dependem da abundância de suas rendas, nem da resistência das suas fortalezas, nem tampouco, da beleza de seus edifícios, mas reside no número de cidadãos (ãs) que dominam o conhecimento da tecnologia e de seres humanos de boa reputação, cultos, patriotas e tementes a Deus"( M. Lutero).

"Cabe a cada cristão procurar a sua maneira de se engajar, para que com a história de sua vida colabore para que ?o amanhã? seja diferente. Para que mais gente possa ser mais gente. Não há receitas prontas. Devemos encontrar as saídas a partir de nosso amor à causa. Se amamos, somos criativos. Se somos criativos, ainda vivemos. Se vivemos, podemos contribuir na transformação. Para que possamos transformar, precisamos estar transformados e em constante transformação"( Hildegart Hertel - Anuário Evangélico, Ed. Sinodal, S. Leopoldo, RS, 1995. p.84).

1.5 - A busca por um retorno na meta histórica e prática atual

A Comunidade Evangélica de Panambi, como as demais igrejas cristãs, sente-se inativa, fora da presença da vida decisiva da sociedade. Somos mera sociedade religiosa, que é procurada quando se necessita de um aval religioso. Perguntamos a nós mesmos o que aconteceu com a relação Hospital, que ajudamos fundar, o que aconteceu com a relação Colégio, que foi um marco histórico com a Comunidade, para Panambi ? Tudo se tornou tão distante, uma instituição da outra, tanto que hoje, muitos membros nem mais sabem que estas instituições têm relações históricas íntimas. Falta-nos comunicação, falta-nos habilidade, falta-nos presença, falta-nos ousadia unida à compreensão o que fazer concretamente para marcar presença na vida de todo ser humano e sociedade, não só em palavras, mas principalmente em e com ação (diaconia). Cremos que a igreja é tudo que existe do reino de Deus para o mundo. Cremos que a igreja é o universo redimido em miniatura, um microcosmos da sociedade humana que alcança redenção e portanto deve andar sob direção de Deus. Sua missão, então, é sustentar e alargar esse "universo". Ela é chamada por Deus para testemunhar de sua fé para o mundo inteiro, tanto corporativamente quanto através da fé pessoal de cada cristão. Cremos que, se ela não fizer isto, ela é uma igreja infiel. Cremos que o objetivo principal do testemunho é a autenticação final do reino de Deus na cidade,ou onde quer que ela esteja, porém é a vida da igreja em comunhão que demonstrará isto, com presença marcante frente aos desafios e necessidades:

"... a igreja de Jesus Cristo também é o lugar - isto é, o espaço no mundo onde se proclama e testemunha o senhorio de Jesus Cristo sobre o mundo todo. Logo, este espaço da Igreja não é algo que existe em função de si mesmo, mas algo que sempre ultrapassa em muito seus próprios limites, exatamente por não se tratar de uma sociedade cultual que tivesse que lutar por sua própria sobrevivência no mundo, mas o lugar onde se testemunha a fundamentação de toda a realidade em Jesus Cristo. A Igreja é o lugar onde se testemunha e se leva a sério que em Cristo Deus reconciliou o mundo consigo, que Deus amou o mundo de tal maneira que por ele deu o seu Filho. O espaço da Igreja não existe para disputar uma parte do território do mundo, mas para testemunhar a este que pode ser o que é: o mundo amado e reconciliado por Deus. Portanto, não é assim que a Igreja queira ou necessite expandir seu espaço sobre o mundo; ela não deseja mais espaço do que precisa para servir ao mundo com o testemunho de Jesus Cristo e de sua reconciliação com Deus através dele. A Igreja só pode defender seu espaço próprio lutando não por ele, mas pela salvação do mundo. Do contrário a Igreja se transforma em "sociedade religiosa" que luta em causa própria e, com isso, deixou de ser Igreja de Deus e do mundo. Assim, a primeira incumbência daqueles que pertencem à Igreja de Deus não é ser algo para si mesmos, criar por exemplo, uma organização religiosa ou viver uma vida religiosa, mas ser testemunhas de Jesus Cristo para o mundo". (...)."O mundo mau e tenebroso não deve ser entregue ao diabo, mas reivindicado justamente para aquele que o adquiriu por sua encarnação, morte e ressurreição. Cristo não abre mão de nada do que conquistou , antes o mantém firme em suas mãos" ( Ética - Dietrich Bonhoeffer, Ed.Sinodal, 1988, p.114,115).

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